terça-feira, 3 de junho de 2008

Pelourinho. Um sofrimento histórico!

Um cotidiano diferenciado entranhado em Salvador. Posso dizer que o "popular" é do povo e, tudo que é do povo, se transforma em cultura. Mas essa cultura é outorgada as influências africanas, que historicamente foi um povo sofrido e escravizado pelos brancos. Ah, meu Pelourinho, nome este que significa o local onde a "negrada" era massacrada e humilhada, nome este que tem uma forte ligação com as milhares de chicotadas que lapiavam as costas dos escravos e, há quem diga que no Pelourinho, estamos pisando nas cabeças de "NEGÔ", cabeça de cada negro que ajudou a construir e povoar a cidade antiga.

Caros amigos e leitores, de ante de uma luta histórica para a libertação dos negros e de um patrimônio arquitetônico inigualável e que ouço por diversas vezes, um patrimônio da humanidade, temos que acreditar: O Pelourinho [quero ressaltar que não gosto desse nome] consegue transformar o cotidiano de uma cidade que está se transformando num verdadeiro celeiro a céu aberto de arranha-céu, perdendo a identidade, identidade essa trazida pelos negros que viajavam meses pelo Oceano Atlântico e muitos morriam de BANZO, com saudade de seus entes queridos. É meu amigo, a raça branca, dita antigamente como "donos do mundo", arrancavam negros de suas famílias no litoral do continente africano e o Pelourinho, que hoje é um bairro, era uma verdadeira cidade central onde a raça negra era maltratada.

Mais o bairro Pelourinho, o nosso centro histórico, que em poucos anos, acredito eu, não teremos nenhum em nossa cidade, ganha vida com algumas revitalizações pontuais, com a mistura cultural e o seu conjunto arquitetônico.
Em suas ruas, seus becos, suas praças escondidas, podemos encontrar uma história perdida.

Pelourinho hoje é sinônimo de festa? Sim! Festa do pagode, do samba, do Olodum, do Cortejo Afro, dos Filhos de Gandhi, do reggae... Mais e a educação patrimonial? Fica onde? E a inclusão social? Sei que existem projetos sócio-culturais e de inclusão do Pelourinho, mais para mim é pouco, eu quero é transformação!

Eu vou deixar somente uma reflexão para os meus próximos textos...

O que podemos fazer para que o Pelourinho seja Pelô da vida? Pelô da vida porque historicamente muitas vidas sofreram no apogeu histórico! Quando falamos de Pelourinho, só consigo enxergar o sofrimento dos escravos.

Eu quero um Pelourinho pela vida, pela miscigenação dos povos!
Até a próxima!