sábado, 14 de junho de 2008

Da Escravatura a Empregabilidade. O Pelourinho sustenta centenas de famílias!

Quem diria! O Pelourinho, no seu apogeu histórico, construído por uma população negra escravizada, trazida da África por portugueses e espanhóis, fundada no ano de 1549, por Tomé de Souza, hoje se transforma numa fonte de emprego tanto formal quanto informal, para centenas de pessoas. É a verdadeira fusão da história escravista com as necessidades da era do mundo globalizado e capitalista.

A economia brasileira passou por importantes modificações ao longo da sua construção econômica e financeira. Maurício Cortez (1999) assegura que durante a década de 90, ocorreram à abertura da economia ao fluxo de comércio e de capitais internacionais, queda na taxa de inflação e redução da presença do Estado na economia. Estas mudanças estruturais resultaram em efeitos importantes sobre o ritmo e a estrutura do crescimento da economia, afetando significativamente o desempenho do mercado de trabalho.

Isso reflete na economia baiana e, principalmente, nas camadas menos favorecidas, que ficam a margem de uma situação política e econômica de risco. Essa tal situação está intimamente ligada ao desemprego.

De acordo com os dados da SEI, em maio 2006, as informações levantadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), apontaram uma taxa de desemprego total de 24,4% da População Economicamente Ativa (PEA). A diminuição do nível ocupacional (0,8%) foi atribuída a movimentos negativos em todos os setores de atividade econômica: construção civil, serviços domésticos e demais atividades. Essas atividades lideraram a redução de postos de trabalho (2,0%), seguindo-se o comércio (1,4%), a indústria (0,8%) e o setor de serviços (-0,3%). O Pelourinho concentra um grande número de trabalhadores informais. Esses trabalhadores são atraídos pela movimentação turística do local.

As atividades turísticas interagem com a estrutura empregatícia formal e informal da cidade de Salvador, mais especificamente, no pelourinho. Essa interação é a principal justificativa para a realização desta pesquisa, onde poderemos identificar falhas e pontos positivos na geração de emprego e renda no Pelourinho.

Atualmente, o Pelourinho é fonte de renda para pessoas que fazem do local para ganhar uma renda diariamente. Segundo Nilton Vasconcelos, professor do CEFET-BA, numa série de dez anos de estatísticas que medem a intensidade e a qualidade do desemprego em Salvador e região, em nenhum momento, ao longo deste período, a taxa de desemprego esteve abaixo de 20% da População Economicamente Ativa (PEA), ao contrário, por oito anos consecutivos este índice registrou uma taxa acima de 25%, sendo apontado um triste recorde de 30%, em junho de 2003. Entretanto, em junho de 2006, o desemprego caiu para 23,7% da PEA. Mesmo assim, para se ter uma idéia mais precisa, este índice significou um contingente de 410 mil pessoas desempregadas. Um número extraordinário com implicações sociais profundas, visto que a assistência através do seguro desemprego é paga por poucos meses e, em geral, corresponde a valores inferiores àqueles percebidos pelo trabalhador quando estava na ativa.

Embora seja registrada, a partir de julho do ano passado, uma taxa mensal abaixo dos 25%, a RMS continua apresentando a maior taxa entre todas as capitais brasileiras pesquisadas desde 1997. Essas estatísticas refletem o crescimento de diversos setores da cidade de Salvador e, o turismo, é uma fonte geradora de divisas, renda e emprego para a população de Salvador.
Viva ao Pelô! Pelô, Pelô, Pelourinho!

A Mãe África, ao Pelourinho!

Uma homenagem ao coração negro de Salvador: Pelourinho!
Mãe África

Quando Olodunmare veio habitar a Terra enflorou-me a cerviz.
Meus seios fartos e generosos alimentaram minha
prole numerosa que cresceu livre e feliz.

Meus filhos - guerreiros ousados minhas filhas - moças gentis como aves do deserto viviam em campo aberto
- Abençoada raiz!
Hoje, minha prole espalhada, a minha alma amortalhada, como andarilha, não pára,
- Vagueia pelo Saara!
Os gritos dos que partiram ainda ecoam em meus ouvidos como o rugir do trovão em noite de tempestade...
- E ainda falam em humanidade!

Sinto-me só, abandonada, sem passado e sem presente - Meu coração está doente!
Não deixem perecer a fé que foi em mim plantada pelo Senhor Olodunmare.

Eliza Teixeira