quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Trinta e oito. A maior quadrilha especializada do Turismo Brasileiro.

Por Iuri Almeida

Trinta e oito. Felizmente não estou falando de trinta e oito mortes, ou de utilização da arma de fogo mais popular no Brasil, como diz no jargão da malandragem, o trezoitão. Vou tecer críticas sobre, exatamente, trinta e oito “profissionais da administração pública federal” que foram acusados de envolvimento numa quadrilha totalmente especializada em mau uso e desvio do dinheiro público. Fundações, associações, enfim, organizações do terceiro setor são colocadas no tabuleiro, juntamente aos “imbróglios” das ementas parlamentares e servidores públicos do alto escalão governamental no processo de desvio “lícito” de recursos que deveriam, de fato, zelar pela melhor utilização do dinheiro público.

Vias de fato, por experiência própria, a realização de uma formalização de um convênio com o governo federal é uma verdadeira guerra burocrática, seguidas de diversas diligências, exigências documentais, cotações de preço, detalhamento dos itens orçamentários, justificativas convincentes de contra partida em bens e serviços, além de ser preciso um conhecimento técnico para utilização do chamado SICONV – Sistemas de Convênios do Governo Federal.

É incrível como os esquemas fraudulentos conseguem facilidades astronômicas para se apropriarem de recursos públicos, na maior cara de pau! Também é inadmissível as vistas grossas do alto escalação do Ministério do Turismo para formalização de tal convênio, com o objetivo de enriquecer ONG’s oportunistas, aproveitadoras e sem nenhuma capacidade de gerir recursos.

Nós, gestores, produtores culturais, turismólogos, agentes de turismo, administradores de ONGs sérias, ficamos a “mercê” de esquemas absurdos, que no final das contas, somos nós os prejudicados. Diversos editais públicos com mais de três anos sem honrar pagamentos, é mais uma prova de que está tudo errado no processo de apoio e repasse financeiro para “idéias” concretas e sérias.

4.000.000,00 essa é a cifra que está sendo divulgada pela Policia Federal, que deveria ter sido destinada para a capacitação de 1.900 agentes de turismo, claro, visando a copa 2014, mais foi desviada para outros digamos assim, projetos pessoais. Prender e soltar essa quadrilha não basta, eles devem devolver todo o dinheiro desviado. Vão devolver? Perguntar não ofende.

Caros parceiros, eu não poderia deixar de externalizar minha indignação com esse absurdo, isso só enfraquece o turismo brasileiro, a cultura brasileira e, nós que tentamos trabalhar dentro da lei, ficamos a deriva, nesse oceano de tubarões!

Até mais outro esquema fraudulento!

Iuri Almeida é bacharel em Administração de Empresas e Especialista em Sustentabilidade e Responsabilidade Social Corporativa. Atua na área cultural e social há mais de 10 anos, presta serviços de gestão e assessoria técnica para diversas ONG’s no Estado da Bahia. Também é empresário na área de consultoria empresarial, comunicação e sustentabilidade.